FLUXO DE CAIXA PROJETADO COMO FERRAMENTA PARA O PLANEJAMENTO FINANCEIRO

agosto 18, 2015 2:05 pm

A Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC) passou a ser exigida a partir de 2008 pela Lei nº 11.638/07 e desde então tornou-se o relatório contábil mais eficiente para tomada de decisões no mundo dos negócios. Ela apresenta resumidamente os recursos que entraram e que saíram do caixa em um determinado período.

Já a DFC Projetada é uma ferramenta de gestão interna que permite antecipar os resultados dos fluxos de caixa (operacional, investimento e financiamento) de forma a tornar real a sustentabilidade financeira, ou seja, gastar menos e ganhar mais.

Desenvolvimento

Pesquisas apontam que aproximadamente 58% dos novos entrantes no mercado morrem nos primeiros anos de vida. Uma das causas é a falta de planejamento financeiro ou a total ausência do fluxo de caixa e a sua previsão.

As micro e pequenas empresas são as principais responsáveis pelo desenvolvimento da economia do país, mas também são as principais a fecharem as portas no primeiro ano, por simplesmente visarem o lucro sem o planejamento. Assim, surge a principal dúvida dos empresários brasileiros: como manter o meu negócio?

Atualmente, todos possuem um fluxo de caixa por mais simples que seja, fato é que a maioria dos empresários tem certo controle do que entram ou que saem do seu caixa, o controle pode ser por uma planilha, extrato bancário ou até mesmo anotações. A grande dificuldade encontrada por esses empresários está no planejamento, na projeção e na confusão patrimonial entre empresa e empresário.

Entretanto, para que os negócios prosperem e os empresários possam garantir o sucesso longe de perturbações financeiras é necessário seguir alguns passos que permita à empresa antecipar o futuro de forma assertiva. Para isso, é necessário gerenciar o fluxo de caixa, antes mesmo de pronunciar a palavra lucro.

As empresas que conseguem escapar da mortalidade prematura, normalmente avaliam o lucro e o fluxo de caixa, sendo que não é possível privilegiar um e ignorar o outro, tratar de forma superficial o fluxo de caixa pode levar a empresa ao abismo mesmo que ela consiga obter lucros. Isso ocorre devido aos regimes contábeis que tange de forma diferente as demonstrações contábeis, ou seja, a Demonstração de Resultado do Exercício que fornece ao empresário o seu lucro ou prejuízo é regida pelo regime de competência, já o Fluxo de Caixa pelo regime de caixa.

Regime de competência: por este regime entende-se que as receitas e as despesas devem ser consideradas para a apuração do resultado do período que se referem e no momento de sua ocorrência, independente do recebimento ou pagamento.

Regime de Caixa: por este regime entende-se que apenas as receitas e as despesas, respectivamente recebidas e desembolsadas devem ser contabilizadas.

Agora que já sabemos a importância do Fluxo de Caixa e que não devemos ignorá-lo, visto que apenas saber o valor gerado pela Demonstração do Resultado do Exercício não gera insumos suficiente para tomada de decisões estratégicas. Como elaborar o Fluxo de Caixa?

O Fluxo de Caixa pode ser elaborado de duas formas, são elas: método direto no qual destaca as entradas e saídas de caixa. E o método indireto que mostra as transformações no caixa decorrentes da atividade operacional que são identificadas pelas variações no capital de giro da empresa.

OBS.: Utilizaremos o modelo direto por ser mais revelador e facilmente analisado pelo leigo contábil.

A forma de elaborar o Fluxo de Caixa pelo método direto é muito simples, visto que é como um extrato bancário em que está descrito as entradas e saídas. Mas, tanto o método direto quanto o indireto, são divididos em três tipos de atividades, a saber:

  • Operacional: diferença entre entradas e saídas de operações relacionadas ao core business;
  • Investimentos: aquisições e vendas de ativos imobilizados e participações em outras empresas;
  • Financiamentos: amortizações e capitações de financiamentos e o pagamento de dividendos aparecem nesse item.

Após termos o resultado das três atividades teremos um déficit ou um superávit no caixa e equivalente de caixa, o que permitirá a comparação com Demonstração do Resultado do Exercício, assim será possível obter conclusões necessárias para o estabelecimento de planos de ações. É importante ressaltar que o caixa liquido gerado nas atividades operacionais é responsável por fornecer a necessidade de capital de giro da empresa, o que permite saber qual será o aporte financeiro necessário em determinado período do fluxo de caixa.

Segundo José Carlos Marion “sem um fluxo de caixa projetado a empresa não sabe antecipadamente quando precisará de um financiamento ou quando terá, ainda que temporariamente, sobra de recursos para aplicar no mercado financeiro”. Assim, muitas vezes a maioria das empresas acabam de forma precipitada fazendo empréstimos, descontando duplicatas ou até mesmo entrando em cheque especial quando o seu caixa encontra-se com déficit.

Após entender o processo para elaboração do Fluxo de Caixa podemos planejar e projetar. Com o planejamento financeiro feito você será capaz de saber quais são os gastos recorrentes em sua empresa e como reagir caso ocorra a falta de dinheiro e assim projetar de acordo com as expectativas.

O planejamento financeiro deve iniciar com a análise de dados históricos da empresa (caso você não tenha dados primários, utilize dados secundários como de players similares) e o primeiro alvo para melhorar a situação financeira é cortar os gastos desnecessários. Posteriormente é necessário a verificação dos gastos variáveis e ver como eles reagiram nos últimos anos, com isso será possível promover ações que possa reduzir esses gastos.

Após analisado o seu planejamento financeiro projete-o. Para que seu Fluxo de Caixa seja passível de projeção é necessário estabelecer o período que ele será planejado, levando em conta o tamanho e ramo de atividade da empresa.

Lembre-se que a sua projeção deve estar embasada nos dados obtidos no seu planejamento financeiro. E quanto mais detalhado for o seu fluxo de caixa, melhor será o controle e a comparação entre o projetado e o real, para assim verificar quais foram as vantagens e estabelecer medidas corretivas caso ocorra desvantagens.

Conclusão

As micro e pequenas empresas são as principais responsáveis pela manutenção da economia, mas não possuem planejamento financeiro razão essa que faz parte dos motivos que leva uma empresa a ter uma mortalidade prematura. Assim, para que essas empresas possam sobreviver e se tornarem competitiva é necessário que não ocorra confusão patrimonial (junção de gastos pessoais e empresariais) e que elas planejem e projetem suas entradas e saídas.

Uma solução para que esse planejamento e a projeção seja assertivo é o Fluxo de Caixa Projetado. Ferramenta chave para administração e eficiente para empresa, visto que é um instrumento simples de manusear, fácil de entender e de elaborar. O Fluxo de Caixa Projetado ainda permitirá à empresa a prever suas entradas e saídas de caixa em um determinado período. Assim, com essa previsão o gestor será capaz de realizar uma melhor tomada de decisões.

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1 Comentário

  • Bom dia pessoal.

    Para quem trabalha com empréstimos e financiamentos, principalmente com taxas pós-fixadas, recomendo a leitura desse conteúdo que encontrei. Ajuda bastante quem precisa ter uma previsão de caixa mais exata com as variações das operações de crédito.

    Segue o link (seguro): http://goo.gl/OABtpq

    Um abraço à todos.

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