Um mercado mais acessível e mais disputado
Abrir um negócio nunca foi tão acessível e, ao mesmo tempo, tão competitivo. Ferramentas digitais e IA reduziram barreiras para testar ofertas, criar conteúdo e alcançar clientes. Mas essa facilidade também aumentou o ruído: mais gente lançando, mais disputa por atenção e menos margem para “aprender errando” com investimento alto. Nesse cenário, fazer um estudo de viabilidade deixa de ser burocracia e vira uma etapa de maturidade para sair da ideia para a ação com mais segurança.
O que é um estudo de viabilidade, na prática
Estudo de viabilidade é um conjunto de análises objetivas para responder a uma pergunta central: essa ideia consegue se sustentar no mundo real, com clientes reais e custos reais?
Ele não serve para “provar que vai dar certo”. Serve para reduzir incertezas, identificar riscos e decidir melhor entre três caminhos:
- seguir com o plano,
- ajustar a proposta,
- ou interromper antes de investir pesado.
Os 4 pilares que você precisa validar antes de investir
1) Problema e cliente
A ideia mais comum de falha não é execução ruim. É resolver um problema que ninguém prioriza.
Perguntas práticas:
- Quem é o cliente específico?
- Que dor ele tem e com que frequência ela aparece?
- O que ele faz hoje para resolver isso?
- Por que ele trocaria o que já faz pela sua solução?
Sinal de alerta: quando a resposta depende de “todo mundo precisa” ou “qualquer pessoa compraria”.
2) Proposta de valor e diferenciação
Aqui você deixa claro o que vende e por que faz sentido.
Uma frase útil:
Eu ajudo [perfil] a conseguir [resultado] com [mecanismo], sem [obstáculo comum].
Exemplo simples:
“Ajudo pequenas empresas a organizar o fluxo de caixa com um método semanal, sem depender de planilhas complexas.”
Você não precisa inventar algo totalmente novo. Precisa ser claro, específico e aplicável.
3) Economia do negócio (preço, custos e ponto de equilíbrio)
A viabilidade costuma morrer na conta, não na intenção.
Mapeie:
- custos fixos (ex.: ferramentas, internet, aluguel, contador),
- custos variáveis por venda (ex.: matéria-prima, taxas, frete),
- capacidade de entrega (quantos clientes você atende por semana),
- preço que o mercado tolera.
Duas contas simples ajudam muito:
Margem de contribuição = Preço – Custo variável
Ponto de equilíbrio (unidades) = Custos fixos ÷ Margem de contribuição
Exemplo ilustrativo:
- preço R$ 200
- custo variável R$ 80
- margem R$ 120
- custos fixos R$ 2.400/mês
Ponto de equilíbrio: 2.400 ÷ 120 = 20 vendas/mês
Isso não é previsão perfeita. É um mapa para enxergar se o negócio exige 5, 20 ou 200 vendas mensais para se sustentar.
4) Operação e capacidade de execução
Muita ideia parece viável até você olhar para a rotina.
Perguntas diretas:
- Quem entrega o quê e em quanto tempo?
- Quais são as etapas do processo até a entrega final?
- O que depende de terceiros?
- Quais recursos mínimos você precisa para começar?
- O que você só compra quando houver demanda comprovada?
Um bom desenho operacional evita investimento adiantado em estrutura que não é necessária no começo.
Como validar sua ideia com baixo risco
1) Teste de demanda com pré-oferta
Antes de construir tudo, teste interesse real:
- lista de espera,
- pré-cadastro,
- proposta comercial simples,
- conversa estruturada com potenciais clientes.
O indicador não é curtida. É sinal de intenção: “quero saber mais”, “quanto custa”, “quando entrega”, “como contrato”.
2) MVP com entrega mínima e padrão de qualidade
MVP não é entregar mal. É entregar o essencial com método.
Defina:
- o que entra,
- o que não entra,
- prazo,
- preço,
- critério de sucesso.
3) Prova de pagamento
Quando possível, valide com uma transação real, mesmo que pequena:
- primeira venda,
- primeiro contrato,
- piloto pago.
Se ainda não der para vender, valide pelo menos a disposição de troca: agendamento, envio de documentos, participação em piloto com compromisso
Checklist em 60 segundos
- Eu consigo descrever o cliente em uma frase objetiva?
- A dor é frequente e importante, ou é apenas “interessante”?
- Sei quais alternativas o cliente usa hoje?
- Tenho uma proposta de valor clara e específica?
- Sei meus custos fixos e variáveis, mesmo que por estimativa?
- Sei quantas vendas preciso para cobrir os custos?
- Consigo entregar o serviço ou produto com rotina realista?
- Tenho um teste simples de demanda para rodar em 7 a 14 dias?
Erros comuns em estudos de viabilidade
- Confundir interesse com demanda real.
- Calcular preço sem considerar custos variáveis e tempo de entrega.
- Ignorar capacidade operacional e depender de “quando eu tiver tempo”.
- Investir em marca e estrutura antes de validar o mercado.
- Não comparar cenários: conservador, realista e otimista.
- Evitar falar com clientes por medo de ouvir não.
Síntese
Viabilidade não é adivinhar o futuro. É tomar decisões melhores com as informações que você já consegue coletar. Em uma realidade em que lançar ficou mais fácil e a competição aumentou, validar antes de investir ajuda você a proteger tempo, energia e dinheiro, sem travar a iniciativa.
Quer organizar isso com método?
Sabemos muito bem que, mesmo com este conteúdo, transformar uma ideia em um estudo de viabilidade pode ser desafiador na rotina por falta de tempo, por incerteza sobre quais números realmente importam e, muitas vezes, pela dificuldade de estruturar testes práticos sem cair em análises intermináveis. Por essa razão, queremos te mostrar alguns benefícios de ter apoio estruturado de um profissional nesse processo:
- Clareza sobre o cliente e o problema, com perguntas e validações que evitam achismos
- Definição objetiva da proposta de valor, para comunicar melhor e testar com mais precisão
- Estruturação de custos, preço e ponto de equilíbrio, com contas simples e realistas
- Criação de testes de demanda de baixo risco, para validar antes de investir pesado
- Desenho operacional mínimo viável, para começar com rotina executável e padrão
- Organização de cenários e prioridades, para decidir com mais segurança o próximo passo
Se você quer se aprofundar em gestão, planejamento e tomada de decisão para novos negócios, convidamos você a conhecer a UCJ (UFMG Consultoria Júnior) e acompanhar nossos conteúdos no Blog da UCJ. Para tudo o que precisar, estamos aqui para te apoiar.

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